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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Scatterbrain (Crítica de Vitor Estevan)

Estou publicando aqui a carta que meu amigo Vitor me enviou com sua crítica a respeito do meu 5º álbum Scatterbrain. 




Carta sobre Scatterbrain

Amigo Rafa,

Decidi fazer em formato de carta porquê dessa vez ficou grande heheh. Mas espero que leia tudo.
Minhas impressões gerais destacam a influência do White Stripes (comento em algumas canções) e o uso da guitarra pesada. É um álbum melancólico, mesmo nas faixas mais agitadas. A mistura dessas duas coisas (guitarra pesada e melancolia) geralmente me remetem a bandas que não lembro o nome e prefiro não lembrar. Sua música e seu álbum me fizeram mudar de ideia. É uma excelente forma de expressar isso.

Artisticamente, seus solos são muito bem compostos e encaixam muito bem na música. As linhas de baixo voltam a se destacar e novamente impressionam. Acho que as linhas de bateria foram uma grande evolução nesse trabalho. Percebi uma preocupação a mais com as finalizações que só contribuíram para concluir com a ideia de cada obra.

Do ponto de vista do hardware, o fuzz bigmuff no Vox AC30 ficou sensacional! As guitarras mais limpas lembram o Marshell Plex com menos ganho. A mistura dos dois timbres foi extremamente inteligente cara!!! O tipo de coisa que vão lhe copiar quando descobrirem.

Abaixo vou citar um pouco das canções que mais me tocaram:

Meu Medo é Perder a Ilusão/Scatterbrain

Vou falar das duas juntas porque soaram com Death Proof. Meu primeiro destaque é a ligação das duas faixas com o baixo. A primeira música é uma grande introdução para o disco. Incluindo a própria intro da música. As quebradas de bateria e os ataques no prato já apresentam muito bem o que está por vir. Principalmente o tom melancólico e o peso.

A Scatterbrain tem um refrão fantástico! O ritmo do verso é novo pra mim, ficou muito bom. Lembrou um pouco de Red Hot. As frases de fuzz encaixam muito música. Novamente uma quebrada sensacional seguindo para o fade out muito inteligente. Não consigo pensar como poderia encerrar melhor. Algo que achei interessante foi a voz - parece meio metálica aqui. Ficou legal cara!

Por Um Punhado de Amor

Uma marca registrada do Chiavegati. A música faroeste do disco! Começando pela referência do nome. O órgão deu um toque especial! E mais uma vez a finalização ficou muito boa com as frequências ressoando.

Ansiedade Blues

Já curti o riff e os petelecos na condução aqui! E tem um “zinc” de harmônicos que contribui para o peso da música. Mano... essa é pesada ein hahahaha.

Campos do Jordão

Acho que a maior evolução deste disco foram as linhas de bateria, como citei acima. A música tem um ritmo extremamente contagiante. Adoro músicas que contam uma história! Não pude deixar de lembrar da Clarice Falcão cujos álbuns são inteiros assim. E depois de comprar uma flautinha nada melhor que tocá-la não!? Acho que o voice das flautas mudou e, novamente, um toque especial na finalização.

Hope

O solo desse som me lembrou uma gaita de fole. Acho que por essa razão esse som me lembrou esses hinos do rock.

Rafaela

Ooouuuwww que fofo cara. A mudança do acorde maior direto para o menor é dificílima de empregar. Mas, quando funciona, fica ótimo! Temos o exemplo de Anna do Beatles. Bost de distorção no meio solo me deu ideias. Adorei a parte final dessa música! Foi uma viagem para ’72. E olha o finalzinho aeeee

Kerosene

O som mais influenciado pelo Jack White! E senti um pouco de Red Hot novamente. Acho que pelo timbre do baixo. Direta, reta e completa! Essa dá pra bater cabeça.

Sometimes I Find Myself Lost

Antes de começar já dá para sacar o vinil e o estilo. Ainda assim é uma surpresa com o blues começa. Ainda mais quando o órgão faz a cama. Pra mim é a sequência (espiritual) da Scatterbrain, fechando a trinca. O solo desse som é foda!!!

Não Quero Morrer aos 27

Mais de influência de White Stripes certo? Ficou muito legal cara. Mais uma agitar!

Delírio

Outra viagem. Mais agora foi the Bus Hahahah

For a Few Love More

A sequência de meus pensamentos: - Pela referência teremos mais uma clássica do velho oeste. Eba! Daí começa uma balada cheia de charme.

- Beleza a balada está bem legal Daí as trombetas entrar rasgando tudo! - Eita... Viche... Que foda!!! É de arrepiar!!! Daí Vitor se emociona, ergue os braços em comemoração e sai bailando com notebook no braço com toda sua malemolência e elegância. - Que filha da puta! Ainda colocou mais solo uma finalização de arrepiar! E tem até viola.

Country Folking Blues

Cara. O timbre sua voz está animal aqui. Isso é Punk. Ou pré punk. Ou post pre punk. O viola é impressionante cara. Nunca achei que combinaria tão bem com um baixo tão pesado. O mais impressionante na questão de produção é o trabalho com os volumes das fixas.

Peço desculpas pela demora de quatro meses. A verdade é que fiquei triste quando ouvi da primeira vez e isso dificultou a conexão com música. E também sou preguiçoso. Agora que consegui de fato ouvir e escutar escrevi a carta.

Chiavegati, seu trabalho é sensacional! Mais um vinil/disco que desejo ter em minha estante.
Abração!

São Paulo, 23 de abril de 2016.
Vitor Estevan

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Caso tenha se interessado em ouvir o álbum:


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Nowhere Man


Cada álbum é como um parto. Demora bastante pra sair. É um longo processo de inspiração, criação e produção. Estou quase terminando meu 5º disco, Scatterbrain, e já estou exausto do processo. Sempre fico assim ao final de cada álbum. Ou ao final de cada arte que eu faço. Não só ao final, mas durante a concepção das obras também. Tive que tirar uma canção porque não consegui cantá-la. Talvez eu faça uma parada instrumental com ela e lance depois. Não sei. Mas, isso é só um exemplo. Várias canções que estarão no álbum tiveram um longo e árduo processo pra ficar do jeito que estão.

Mas, por que eu tenho todo esse trabalho se eu não estou ganhando dinheiro nenhum com isso? Sinceramente, eu não sei. É algo que tem a ver com a vontade. Eu mesmo não sei o motivo. Uma vez por ano eu faço um álbum. E até agora, nada de covers. Tudo original. E no final, dá pra contar nos dedos as pessoas que eu sei que vão ouvir. Soa até melancólico, eu sei. Algo como "a canção que ninguém ouvirá". Me lembra de um trecho da música The Sound Of Silence de Simon & Garfunkel que diz: "People writing songs that voices never share..." Puxa, e eu conheço vários artistas anônimos que estão por aí tentando divulgar seus trabalhos. Mas as pessoas estão ocupadas demais pra ouvi-los. No final, não importa. Não afeta em nada o meu som. A minha música é o que é.

Enfim, tenho uma novidade. Meu pai comprou uma viola caipira. Não posso medir a minha felicidade e ansiedade em usá-la em algum trabalho. Pode ser que ela faça uma participação discreta neste álbum que está vindo. Mas, pretendo usá-la com mais força nos álbuns que gravarei com a minha amada logo mais. O som da viola é hipnotizante. Pra mim soa como uma cítara caipira. Não sei explicar. Só sei que é lindo demais. Não é por nada não, mas instrumentos musicais são tudo de bom. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Tataravô 1


Olá pra você do futuro! Talvez meu tataraneto ou minha tataraneta (ou ambos). Você que provavelmente está pesquisando sobre seus antepassados, aqui está um deles. Eu sou o Raphael Chiavegati Oliveira, seu tataravô. Olha que bacana! É quase como se eu estivesse aí com você(s). 
Estou escrevendo do ano de 2015. Como você está? Bom, é claro que não tem como me responder. Mas, fica aqui um registro de uma pessoa maluca que já pensa em como serão seus descendentes. Aí vai um conselho: ouça Beatles! Sério! É bom demais!

Eu gravei várias canções, vários álbuns, fiz filmes e tirei fotografias. Tudo isso nos conecta de modo que você sinta como é viver em 2015. Quem sabe você pode saber o que se passava na cabeça do seu antepassado. Quem sabe eu serei você numa reencarnação. Aí eu estaria falando comigo mesmo. Doideira, né?

Bom, escreverei mais para você(s). Pesquise(m) outros posts relacionados.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

SPAGHETTI FICTION (2015)


FAIXAS

DISCO 1
01. Atrás Daquele Olhar 03:34
02. I Have a Crush on You 02:48
03. Carol no Céu com Diamantes 03:42
04. Aliya, The Brave 04:48
05. Wish I Could Fight Like Bruce Lee 01:48
06. Girl in Leotard 02:43
07. Hey Lauren 07:31
08. A Vida Não é Um Filme do Godard 02:12
09. Por Una Sonrisa de Ayelen 02:12
10. Beam Queen 05:51

DISCO 2
11. She Looks Like Greta Garbo 03:23
12. Daria, Eu Daria Tudo Pra Ficar Com Você 04:05
13. The Tomboy Girl in the Record Store 02:43
14. Mel is My Favorite Suicide 02:57
15. Na Lua Tem Pôr do Sol? 03:21
16. Larisa's Elegance 06:40
17. Cuteness Overload 01:58
18. Stephanie in the Moonlight with the Sunshine 03:27
19. Marine Brevet, L'Agent Secret Français 02:52
20. Guerras Espaciais e Morangos 07:48

Duração do Disco 1: 00:37:14
Duração do Disco 2: 00:39:19
Duração do álbum: 01:16:34
Lançado em 23 de janeiro de 2015

O ÁLBUM

Me aconteceram muitas coisas no período de gravação que influenciaram e muito nas canções e na forma final do álbum. Vou tentar resumir:

Pouco tempo depois de eu terminar o álbum anterior "The Bus", eu fui convidado a entrar para uma banda vintage punk chamada "Xanapal e Os Xanadus", que na época era formada por Mariana Moreira, Vitor Estevan e Ugo César. Hoje a banda tem um membro novo, o Rafael Rodrigues.

Xanapal e Os Xanadus: Vitor Estevan, Ugo César, Mariana Moreira e eu

Eu fui convidado por causa dos álbuns. E, uma vez que você está em uma banda, você tem contato com mais músicos e mais ideias musicais. Isso acaba te influenciando pra caramba. Depois eu farei um post especial falando sobre essa banda e apresentarei cada um dos integrantes. Fato é, que poucos meses depois de eu já estar na banda, me surgiu a inspiração de continuar compondo. Só que eu queria melhorar a qualidade das gravações. Com a ajuda da minha mãe, eu comprei um microfone condensador profissional para estúdio: o ótimo Behringer C-1U. Logo, precisava estrear este novo microfone em uma nova canção.

Eu estava mais viciado do que nunca em Ginástica Artística Feminina. Assim como George Harrison compôs a canção "Faster" dedicada a todos os pilotos de corrida do mundo (esporte que ele amava), eu fiz a minha ode dedicada a todas as ginastas do mundo. Saiu a canção "Perfection". Veja no videoclipe abaixo:


Meu amor por esse esporte me deu inspiração para compor esta canção. E digo com toda a convicção, tanto em termos de letra como em termos de arranjo, é uma das minhas melhores canções. Me lembro que o Vitor Estevan (da banda) fez uma análise precisa da canção e reparou na montagem da melodia. Ele inclusive aprendeu a tocá-la de ouvido. Achei incrível isso. Ele também apontou um detalhe que eu coloquei na canção: a letra enaltece as ginastas e a música é bem doce. Mas, quando a letra fala das quedas, entra a guitarra elétrica pra dar peso. O Vitor comentou sobre isso. Eu me lembro que pensei: "Puxa, ele prestou atenção na música". Mostrei esta canção para meus pais também. Os dois adoraram. Inclusive, me perguntaram: "As ginastas viram isso? Pois está bem bonito!" Pra mim, isso foi um troféu.

Eu já sabia que eu faria um novo álbum, e já sabia também que esta canção não entraria nele. Ela foi single. Na minha cabeça eu já tinha até o nome do álbum: "Spaghetti Fiction & Gymnastics", porque, entre músicas doidas haveria canções dedicadas a ginastas específicas. Difícil foi escolher algumas ginastas para poder compor as músicas, já que sou fã de várias delas. Logo eu tinha as duas primeiras canções gravadas para o álbum: "Girl in Leotard" e "I Have a Crush On You".

Nesse meio tempo, fui ao shopping com minha mãe e meu irmão. Minha mãe, ali na hora, decidiu nos presentear com um teclado. E ela comprou um bom de verdade. Conversamos bastante com o vendedor até chegar ao excelente teclado Yamaha PSR-E343. Nem eu, nem meu irmão sabíamos tocar piano. Mas, a força de vontade foi tanta que em duas semanas já estávamos tocando várias músicas. Aprendemos sozinhos. Aliás, foi isso que me fez entender melhor as escalas. Aprendi muitas coisas na marra. Porque eu realmente queria aprender piano. Lógico que não saímos tocando Mozart (até hoje eu não toco). Mas, aprendemos os acordes e isso é mais do que suficiente para tocar. E eu queria aprender rápido para poder usar no álbum.

Reparem como foi feita a gravação do teclado. Sim, gambiarrísticamente falando, eu usei o microfone pra gravar o som, já que o teclado só se conecta ao computador via midi. Eu queria o som real do teclado mesmo. 

Eu procurava me inspirar em sons diferentes do que eu estava habituado a escutar. Me baseei em muitas canções que as ginastas usam em apresentações de Solo. Além disso, eu estava ouvindo muito uma banda russa chamada "Iva Nova". É uma banda incrivelmente original, que mantém o acordeon no lugar da guitarra elétrica. Me apaixonei pelo som do instrumento. Por isso, várias canções do álbum têm acordeon. A inspiração veio dessa banda russa, que eu recomendo fortemente.

Em setembro tive dias horríveis. Minha cachorrinha Carol faleceu. Essas coisas são sempre difíceis de serem superadas. Fiquei três dias de luto, sem tocar nenhum instrumento. Até hoje sinto a falta dela. Sempre vou sentir.

Alguns meses depois, fomos ao shopping novamente. Desta vez, meu pai estava querendo comprar uma viola caipira. Conversa vai, conversa vem, minha mãe começou a me perguntar sobre pedais e pedaleiras. E eu estava explicando a diferença. Achamos uma pedaleira maravilhosa da Zoom: a G2.1DM. O que me impressionou de verdade nela foi que era possível conectá-la ao PC via USB para poder gravar a guitarra. Meus olhos brilharam e meus pais compraram a pedaleira. Compramos também um pedal de sustain CASIO SP-20 para o teclado (foi o único pedal compatível) e meu pai comprou um violão novo no lugar da viola. Ele comprou um Di Giorgio Talent SL I.


Eu convidei o Vitor Estevan para tocar guitarra lead e solo na canção "Beam Queen". Não tenho nem o que dizer, ficou perfeito! Ele é um guitarrista extremamente habilidoso e técnico. Inclusive, ele está gravando seu primeiro álbum. Espero logo poder postar o álbum dele aqui no blog.

Quase no final das gravações do álbum, eu conheci a Rafaela Heloaria, minha namorada. E isso se refletiu em algumas das últimas gravações, já que a Rafa é uma ótima guitarrista e é muito fã do Eric Clapton. Acabei colocando mais guitarra em algumas músicas para tentar impressioná-la.


As últimas músicas gravadas para o álbum foram: Hey Lauren, Carol no Céu com Diamantes (dedicada à minha cachorrinha), Daria Eu Daria Tudo Pra Ficar Com Você e Larisa's Elegance. O álbum estava pronto, depois de pouco mais de 6 meses intensos de gravações.
O nome ficou apenas como "Spaghetti Fiction" (tirei o "& Gymnastics"). Foi meu primeiro álbum duplo. Até aqui, com certeza é meu melhor álbum.

A CAPA DO ÁLBUM

A ideia original era eu como gondoleiro sobre uma gôndola em Veneza. Eu estaria levando algumas ginastas em um passeio nessa gôndola. Depois de muito martelar, resolvi mudar de ideia e fiz uma colagem sobre uma foto pra simular como se fosse um outro planeta. Usei a foto abaixo:


Via Photoshop, pintei minha guitarra de vermelho. Depois, escolhi minhas 3 ginastas favoritas da atualidade para estarem comigo na capa: Lauren Mitchell, Aliya Mustafina e Larisa Iordache.



Agora estava pronto meu quarto álbum. E eu estava mais orgulhoso do que nunca, porque, não importava o que podiam falar, eu sabia (e sei) que fiz um ótimo álbum. E recebi ótimas críticas no facebook.

TEMÁTICA DO ÁLBUM

O álbum fala sobre esperança, faz uma reflexão sobre coisas que acontecem na vida, fala sobre Cinema e é claro, fala sobre Ginástica Artística.

SOBRE AS CANÇÕES DO ÁLBUM

DISCO 1
1. ATRÁS DAQUELE OLHAR
Minha canção Belle & Sebastian do álbum. Ela funciona como uma espécie de tutorial de como ouvir o álbum. A cada refrão, um instrumento novo é acrescentado à canção, de forma com que o ouvinte preste atenção nos detalhes da canção. A ideia é tentar ouvir cada instrumento separadamente e ver como eles se encaixam na melodia. E já começa com o acordeon rasgando. Gravei todos os acordeões do álbum com meu teclado Yamaha.
A letra fala sobre minha esperança em mim mesmo, esperança no meu futuro.

2. I HAVE A CRUSH ON YOU
Uma canção sobre amor platônico com um teor sexual.

3. CAROL NO CÉU COM DIAMANTES
Canção dedicada à minha cachorrinha Carol, que faleceu no período em que eu estava gravando o álbum. Obviamente, faz referência à canção "Lucy in the Sky with Diamonds" dos Beatles. Só que, no caso da minha canção, o "Céu" seria o Paraíso.

4. ALIYA, THE BRAVE
Dedicada à ginasta russa Aliya Mustafina. A canção traz um estilo de faroeste italiano na sonoridade, no meio se torna uma balada de rock, depois passa por uma batida marcial e por último encerra como um hard rock.

5. WISH I COULD FIGHT LIKE BRUCE LEE
Essa é pesada. Só que ao invés de usar guitarra distorcida, optei pelo acordeon. Acho que trouxe uma dramaticidade pra música que combina com a letra forte. A canção fala sobre bullying. Me lembro de um dia na 5ª série, num dos ataques de bullying das pessoas, eu tive que passar por um "corredor polonês" enquanto todos os alunos de uma turma me chutavam e me xingavam. E não era brincadeira. Era sério o negócio. Não é todo dia que se apanha de uma turma inteira só porque você é esquisito. E nem era a minha turma, era outra classe. A música fala desse episódio em especial e da vontade que eu tinha de poder lutar como o Bruce Lee pra me defender.

6. GIRL IN LEOTARD
Outra sobre ginastas. Em português o título significa: "Garota de Collant". Collant é o uniforme que as ginastas usam nas competições. A música tem uma batida primitiva, quase tribal, de modo a representar algo selvagem.

7. HEY LAUREN
Uma das canções mais ricas do álbum em todos os sentidos. Dedicada à ginasta australiana Lauren Mitchell. Fala também sobre amor platônico. Até então, foi a melhor canção romântica que eu havia escrito. E a canção muda de ritmo, de estilo e de instrumentos. Ela inicia com um riff de guitarra que eu toquei para imitar o riff da canção que a Lauren usava nas apresentações de Solo. O nome da canção da Lauren é Street Violin, de Josh Vietti (ouça). Repare que eu usei bastante violino também, assim como na canção do Josh.
No final da canção, só por diversão, fiz estilo "Hey Jude" dos Beatles e coloquei um "Hey Lauren, Hey Lauren, na na na na na na...".
Pra mim, "Hey Lauren" é a cereja do álbum. Curioso é que ninguém comentou sobre esta canção.

8. A VIDA NÃO É UM FILME DO GODARD
Um jazz de vaudeville. A letra faz referência aos filmes do Godard em relação aos títulos e à estética. Foi a canção mais divertida de gravar. O banjo e todos os instrumentos exóticos (inclusive os sons dos animais) eu toquei no meu teclado Yamaha.

9. POR UNA SONRISA DE AYELEN
Dedicada à ginasta argentina Ayelen Tarabini, que tem um sorriso muito bonito. Resolvi fazer este tango misturado com flamenco. Foi divertido tocar as partes de violão e de bandoneon.

10. BEAM QUEEN
Agora, uma canção inspirada em classic rock e que fala sobre as "rainhas da trave de equilíbrio". Sim, Ginástica Artística again. Convidei meu amigo Vitor Estevan pra fazer o solo de guitarra e tocar lead. O resultado ficou fenomenal!

DISCO 2
11. SHE LOOKS LIKE GRETA GARBO
Dedicada à ginasta romena Sandra Izbasa. Uma canção folk da qual me orgulho bastante. A sonoridade ficou perfeita. Melhor do que eu tinha imaginado.

12. DARIA, EU DARIA TUDO PRA FICAR COM VOCÊ
Eu queria fazer um trocadilho com o nome da ginasta russa Daria Spiridonova. Por isso o título, "Daria, Eu Daria Tudo Pra Ficar Com Você". Só que nesse período em que eu escrevia esta canção, eu estava apaixonado pela Rafaela (que hoje é minha namorada). E a música, apesar de falar sobre a Daria Spiridonova, foi escrita pensando na Rafaela. Na sonoridade, me inspirei no The White Stripes, que é meu novo vício.

13. THE TOMBOY GIRL IN THE RECORD STORE
Mais um jazz de vaudeville. A canção fala sobre uma tomboy. Tomboy é aquela garota que se veste como menino. E a letra conta a história de um cara que se apaixona por uma tomboy em uma loja de discos. Adoro a letra dessa música!

14. MEL IS MY FAVORITE SUICIDE
Dedicada à Mel Suicide das Suicide Girls. O nome real dela é Melissa Clarke. Essa música eu tinha composto na época do meu primeiro álbum, mas não tinha conseguido finalizá-la naquele tempo.

15. NA LUA TEM PÔR-DO-SOL?
Uma das minhas típicas canções malucas de letra nonsense. Adoro esse tipo de música! Referências ao Chapolin e ao Chaves estão presentes na música.

16. LARISA'S ELEGANCE
Inspirada no estilo da banda Iva Nova com um acordeon bem dançante. Dedicada à ginasta romena Larisa Iordache. Foi a última canção que gravei para o álbum. Não tem nenhuma guitarra ou violão. É a que eu toquei mais teclado dentre todas.

17. CUTENESS OVERLOAD
Digamos que é a canção mais cute do álbum. Super simples, mas cheia de fofura. Gravei o videoclipe com minha namorada Rafaela.

18. STEPHANIE IN THE MOONLIGHT WITH THE SUNSHINE
"Stephanie na luz da Lua com o brilho do Sol". Gosto desses contrastes. Me inspirei na ginasta mexicana Stephanie Hernández. A sonoridade da canção busca representar uma praia noturna, céu estrelado, fogueira... esse tipo de coisa.

19. MARINE BREVET, L'AGENT SECRET FRANÇAIS
Marine Brevet é uma ginasta francesa. Mas, a canção não fala sobre Ginástica. Apenas usei o nome dela porque é estiloso. O estilo dessa música remete às canções antigas francesas e aos filmes do James Bond.

20. GUERRAS ESPACIAIS E MORANGOS
Eu vou fazer um post só pra esta canção pra poder explicar melhor. É  música mais psicodélica que eu já compus. Tem um pouco de tudo, tanto na letra, quanto na melodia. O que posso dizer agora é: Parangaricutirimirruaro.

CANÇÃO QUE FICOU DE FORA DO ÁLBUM

O ACORDEONISTA DA ESTRADA DA MONTANHA
Essa canção conta a história de um músico incompreendido. Acabei optando por não incluir no álbum, pois já tinha música pra caramba. No final das contas, acabei não gravando uma versão pra lançar ainda.

SINGLE

PERFECTION
Já expliquei sobre esta canção acima. Para ouvi-la, clique aqui.

CONCLUSÕES SOBRE O ÁLBUM

Meu quarto álbum é complexo. E o que mais gosto são as possibilidades infinitas. Além de ser longo, o álbum te leva para vários lugares diferentes, isso é claro, se você está disposto a se deixar levar.
Gravei alguns videoclipes para o álbum. Abaixo, confira o videoclipe de "Cuteness Overload", que gravei com minha namorada Rafaela:


E abaixo, o videoclipe da canção "Aliya, The Brave":










É possível ouvir o álbum na íntegra abaixo:


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

THE BUS (2014)


FAIXAS

01. Opala 76 02:50
02. It's Very Tarde 02:05
03. La Chanson for Yulia 03:13
04. Carlotta 44 02:56
05. Feche a Janela 02:39
06. Eu Protesto 02:02
07. Isadora 03:28
08. Através do Vidro 02:49
09. Caixa de Pandora 02:30
10. Hat House (Est Mon Cul) 01:39
11. Sweet Ra 02:24
12. In My Place 01:58
13. Eu acredito em OVNI 04:20

Duração do álbum 00:35:00
Lançado em 4 de abril de 2014

O ÁLBUM

Depois do lançamento do álbum anterior, o Folkabilly, eu não achava que eu fosse gravar outro álbum. Veja, o álbum anterior foi lançado em maio de 2013. Eu só comecei a gravar este álbum novo em fevereiro de 2014. Ou seja, fiquei quase um ano sem gravar canção nenhuma. Eu estava trabalhando numa empresa de games e não tinha mais tempo disponível pra gravar. O que aconteceu foi que a empresa fechou no final de 2013. E eu estava aproveitando meu tempo livre pra produzir um filme em animação (filme que eu estou produzindo até hoje). Me lembro que de brincadeira fiz a canção "Eu Acredito em OVNI", pra me divertir e porque eu já não fazia uma canção há muito tempo.

Eu estava assistindo bastante Ginástica Artística, que é meu esporte favorito, e assistindo muitos filmes de faroeste italiano, pra ajudar a me inspirar no meu filme. Me lembro como se fosse hoje. Era janeiro de 2014. Era noite e eu estava trabalhando na minha animação. Nessa época estavam sendo transmitidas as Olimpíadas de Inverno de Sochi, na Rússia. Minha mãe estava assistindo a Patinação Artística e acabou me chamando pra assistir também. Como a cena do meu filme estava renderizando, eu fui lá assistir a competição (eu nunca tinha assistido Patinação Artística, mas já imaginava que eu pudesse vir a gostar se assistisse, justamente por eu já gostar de assistir Ginástica Artística). Estava passando a competição feminina. Várias patinadoras lindíssimas competindo, e isso já é motivo suficiente pra eu querer assistir, hehe. Aí entrou uma jovem russa de 15 anos de idade: Yulia Lipnitskaya. Ela se apresentou maravilhosamente, fez tudo perfeito. E ela era muito bonita. Me cativou na hora. Até postei no facebook sobre ela. Dias depois, as competições continuaram, e eu assistia tudo ao lado da minha mãe.

Outra patinadora me marcou. Era uma brasileira /americana chamada Isadora Williams, que também era muito bonita e talentosa. Aliás, foi a primeira patinadora a representar o Brasil na Patinação Artística em Olimpíadas de Inverno. O que aconteceu foi que ela não estava no seu melhor dia e pra piorar, os juízes foram sacanas com ela, dando uma nota muito abaixo do que ela merecia. Ela acabou terminando em último lugar e saiu chorando de lá. Isso mexeu comigo. Na hora me veio uma vontade de escrever uma canção sobre isso. A canção saiu e eu a intitulei como "Isadora". Foi a primeira vez em uma canção minha que eu juntei piano com violão (porque eu comprei um afinador, hehe). Eu ainda usava um piano virtual, porque eu não tinha um e também não sabia tocar mesmo. Usei o mesmo esquema que usei no "Pure Pepperoni": peguei as notas no violão as e passei para o piano. Consegui montar um vídeo e mandar pra ela. Ela até retuitou. Fiquei tão feliz! Veja o vídeo abaixo:


Eu queria fazer uma canção dedicada à Yulia Lipnitskaya, ou Julia mesmo, tanto faz. Eu tinha composto há muito tempo uma melodia que lembrava uma canção francesa, e essa melodia estava aqui no meu computador com o nome de "La Chanson". Eu costumo gravar diversas melodias e um dia que eu preciso eu recorro ao meu estoque. Compus a letra e coloquei o título de "La Chanson For Yulia". Logo, eu já tinha essas três canções, que ao meu ver eram muito boas. Me empolguei e resolvi fazer meu terceiro álbum. E eu já tinha em mente o título do álbum. Se chamaria "The Bus". Por quê? Porque eu sempre quis ter um álbum com esse nome. Desde antes de fazer o meu primeiro álbum eu queria ter dois álbuns que lembrassem o "Rubber Soul" e o "Revolver" dos Beatles. E esses álbuns seriam, respectivamente, "Spirit" e "The Bus". Fato é que eu nunca fiz o "Spirit". Mas, o "The Bus" acabou nascendo daí. E foi profundamente inspirado por "Revolver". Demorei pouco mais de um mês pra terminar o álbum. Foi o álbum que eu gravei mais rápido até hoje. E fiz uns experimentalismos com música concreta para o álbum. E isso é algo que eu sempre faço, no sentido de fazer em um álbum novo algo que eu não tinha feito nos anteriores. Tudo pra manter uma crescente de experiência a cada álbum.

A CAPA DO ÁLBUM

Na minha cabeça estava claro que eu ma basearia na capa do "Revolver" dos Beatles pra fazer a capa do meu "The Bus".


Tirei umas fotos e fiz uma colagem no Photoshop. Voilá!


Usei uma das fotos da mesma sessão e fiz a contra-capa:


E mais um álbum estava pronto. Meio que sem querer, depois de quase um ano sem gravar nada, acabei fazendo tudo em um mês.

TEMÁTICA DO ÁLBUM

O álbum fala da monotonia do cotidiano. Isso de as pessoas sempre fazerem as mesmas coisas todos os dias. E é um álbum curto, pra se ouvir no ônibus. Em algumas faixas o eu-lírico está dentro de um ônibus observando as pessoas através da janela, ou se preferir, através do vidro.

SOBRE AS CANÇÕES DO ÁLBUM

1. OPALA 76
Eu sempre fui fã de Opala. E comprei uma miniatura de um Opala SS 1976. Muito bem feito, por sinal.
"Opala 76" é uma canção sobre política (a única pessoa que percebeu isso foi meu amigo Elias Pacheco). Na verdade, o eu-lírico está dirigindo um Opala enquanto a pessoa que está no banco do carona está tentando falar sobre política. E ele não quer saber disso, ele só quer dirigir e curtir o seu Opala 76. 
Aqui usei o som real do motor de um Opala. E procurei tocar os acordes da guitarra num tom próximo ao do ronco do motor. Eu já fiz essa canção pra ser a abertura do álbum. 

2. IT'S VERY TARDE
Uma simples canção psicodélica sobre uma madrugada solitária na frente da televisão. A canção também fala sobre masturbação.

3. LA CHANSON FOR YULIA
Canção que fiz dedicada à patinadora russa Yulia Lipnitskaya. Era pra lembrar uma típica canção francesa de amor. Gosto muito da parte do solo de piano.

4. CARLOTTA 44
Acredito que essa seja a canção mais marcante do álbum. Fiz dedicada à ginasta italiana Carlotta Ferlito, que é putaquiparivelmente sexy. Eu estava ouvindo a canção "Porque Te Vas" da cantora Jeanette. E se parecia como uma canção de faroeste italiano (gostei do formato de falar de amor ao som de spaghetti western). E, como eu amo faroeste italiano e ouvi quase tudo do Ennio Morricone, a inspiração veio fácil. Além disso, a Carlotta é italiana. 
Baseado na abertura do filme "Três Homens em Conflito" do Sergio Leone, em que sons de tiros rasgam a música, coloquei sons de tiros aqui também. E peguei sons de tiros dos filmes do próprio Sergio Leone. Eu tenho muito orgulho dessa canção.

5. FECHE A JANELA
Essa música fala sobre não saber o que fazer, sobre não entender a si mesmo. 

6. EU PROTESTO
É a canção punk maluca do álbum. 

7. ISADORA
Canção dedicada à patinadora brasileira Isadora Williams. Eu queria algo do estilo de "Hey Jude" dos Beatles. Por isso a canção começa com piano e depois entra o violão. 
Pesquisando sobre a Isadora, vi que quando criança, ela costumava patinar ao som de "Tico-tico no Fubá" de Zequinha de Abreu. Pensando nisso, fiz a música se converter pra Tico-tico ao final. A minha sorte foi que consegui encaixar organicamente as duas melodias. No vídeo da canção, na parte que entra o Tico-tico eu coloquei vídeos da Isadora criança. Eu já tinha pensado nisso quando compus a música. Só por curiosidade, eu cheguei a conhecer pessoalmente a Isadora no final daquele mesmo ano em um show de Patinação no Ginásio do Ibirapuera.

8. ATRAVÉS DO VIDRO
O eu-lírico observa as pessoas na rua através do vidro da janela do ônibus. Eu queria uma canção que tivesse acordes que soassem como se estivessem errados. A sequencia dos acordes é pra incomodar. Quase todos estão em sétima. 

9. CAIXA DE PANDORA
Minha raga rock do álbum. Foi muito difícil de fazer porque eu nunca tinha feito raga rock antes. O plus pra mim é que eu toquei a minha flauta-doce em um trecho da canção. Eu não sei tocar flauta, mas naquele dia eu treinei uns acordes nela e toquei na hora. Deu certo!

10. HAT HOUSE (EST MON CUL)
Essa canção originalmente estaria no "Folkabilly". Aqui eu cortei umas partes dela e acrescentei os efeitos sonoros pra dar um charme. É minha canção boca-suja. A frase em francês "Est mon cul" quer dizer "É meu cu". Vi isso no filme francês "Zazie no Metrô" de Louis Malle, em que a protagonista, a atriz mirim Catherine Demongeot fala muitos palavrões e vive dizendo "est mon cul". Ela era tão cute!

11. SWEET RA
Meu jazz de vaudeville do álbum. Gosto bastante deste número. Sempre me divirto fazendo esses vaudevilles.

12. IN MY PLACE
É outra daquelas canções que eu escrevi há muito tempo e ressuscitei. A letra é bem bobinha, mas é bonitinha. Gosto da harpa misturada com o violão.

13. EU ACREDITO EM OVNI
Foi a primeira canção que eu gravei para o álbum e acabou entrando por último, porque ela é a mais experimental. Eu tinha escrito ela na adolescência e ela era em inglês "I Believe in UFO". Só que resolvi escrever em português.
De fato, eu vi um OVNI uma vez em São José dos Campos. E eu não estava sozinho. Estava com meu irmão e com meu primo. Outras pessoas que passavam na rua também viram. Lógico que não foi essa a história que eu contei na letra. Eu queria que a música remetesse aos filmes de alienígenas dos anos 50, com aqueles efeitos robóticos que lembravam o som de um teremim

SINGLES

LA CHANSON FOR YULIA (SINGLE VERSION)
Eu queria fazer o vídeo da canção da Yulia, só que eu queria que o final da canção fosse diferente da que está no álbum. No disco a música termina em fade out. Eu cortei a música e regravei o trecho final alongando os últimos versos e terminando com um acorde. Para ouvir esta versão, clique aqui.
Ou confira no clipe abaixo:


CARLOTTA 44 (SINGLE VERSION)
Versão alternativa da canção do álbum. Aqui a música termina com um acorde de piano com bastante reverberação. Para ouvir esta versão, clique aqui.

KIND OF CUTE
Este single eu fiz depois que o álbum já estava pronto. E é uma das minhas melhores canções. É suja e pesada, ao mesmo tempo que é bem romântica. Eu queria que a letra abordasse coisas que geralmente as músicas não abordam. Um exemplo disso é o fato de eu achar bonitas as garotas com dentes amarelos. Mas, claro, não entenda errado. Não estou falando de dentes podres (credo). Eu falo de dentes levemente amarelados. Porque dentes 100% brancos são esquisitos. Para ouvir, clique aqui. Ou confira o clipe abaixo:


CONCLUSÕES SOBRE O ÁLBUM

Esse foi o primeiro álbum em que eu já tinha uma real noção do que eu estava fazendo. Os dois anteriores foram mais experimentais no sentido de tudo ser novidade pra mim. Aqui eu já tinha desenvolvido minha metodologia de compor, gravar e produzir as canções. Ele encerra com chave de ouro a minha trilogia inicial.





Foto que eu tirei com a patinadora Isadora Williams

É possível ouvir o álbum na íntegra abaixo:


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

FOLKABILLY, EU SOU A EXCEÇÃO (2013)


FAIXAS

01. Folkabilly 02:57
02. Você 01:33
03. Ópera da Menina do Sertão 03:46
04. Meu Amigo Diogo 03:00
05. Lúcifer Baião (Black Metal Forró) 04:51
06. Eu Sou a Exceção 04:13
07. As Pernas de Esther 02:56
08. Político Não é Fácil 03:15
09. Arrasa Corações 03:41
10. Folkabilly (Reprise) 01:02
11. Love 666 10:26

Duração do álbum 00:41:44
Lançado em 29 de maio de 2013

O ÁLBUM

Depois de ter terminado o Pure Pepperoni eu sosseguei por um tempo com as composições. Mas, logo eu acabei voltando. É viciante fazer esse tipo de coisa. E eu estava passando por momentos completamente diferentes aos que eu estava passando na época do primeiro álbum. E isso se refletiu nas canções.
Eu estava em um período meio revoltado com as coisas. Eu queria gritar de alguma maneira. Precisava me expressar de novo. Me lembro que em uma conversa com meu amigo Diogo ele havia me dito que preferia músicas em português porque ele podia entender as letras. Além disso, eu estava ouvindo fanaticamente Raul Seixas. Eu queria me tornar um Raul Seixas (sem as drogas e sem aqueles rituais estúpidos que ele fazia com o Paulo Coelho) Eu queria ser ocultista de verdade. Era uma parada de ideias. Eu gostava da maneira que ele se expressava nas canções. Muitas delas com claros erros de português e concordância. Mas, era assim que ele se expressava. E funcionava muito bem. A partir desse ponto, uma mudança aconteceu na minha maneira de compor as letras. Nesse álbum eu queria compor tudo em português. E sem me prender a rimas e métricas. O Raul tinha ótimo isso, era quase um rap. Em várias canções dele as melodias eram curtas e as letras eram enormes, e ele tinha que correr pra cantar, pra encaixar tudo. O melhor exemplo disso é a canção "Ouro de Tolo".
Eu tinha que dar um pontapé inicial no álbum. E, inspirado pela canção "Eu Também Vou Reclamar" do Raul, eu escrevi a canção "De Que Adiantou?" e rapidamente gravei um videoclipe. Veja abaixo:


Para incorporar bastante o espírito folk, eu andava ouvindo bastante Bob Dylan. Eu já tinha em mente que este álbum ia ser mais simples do que o anterior. Eu já sabia que eu só usaria violão, guitarra, bateria, gaita, pandeiro e outras percussões. Nada de piano, órgão, harpa, etc.
Tendo isso em mente, com exceção de uma canção (Lúcifer Baião) eu não usei o Fruity Loops. Pra bateria usei apenas o Hydrogen e fiz tudo em forma de loops. Eu deixei um loop de bateria que eu tinha feito e toquei em cima com o violão ou com a guitarra. Depois eu acrescentei as viradas. Eu não coloquei contrabaixo. Usei uma outra faixa de guitarra fazendo o papel do baixo, só que sem alterar a oitava. Simples assim. Estruturalmente, me inspirei no álbum Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles. Eu coloquei uma canção título e depois uma versão reprise dela antes do último número. A canção título acabou sendo Folkabilly, que fazia uma referência a folk e rockabilly. Resolvi não colocar no álbum a canção "De Que Adiantou?" e mantê-la apenas como single. E depois de alguns meses gravando, voilá! Estava pronto... ou quase. Faltava a capa, é claro!

A CAPA DO ÁLBUM

Como eu amo coisas vintage e coisas que fazem referência ao clássico, a capa do álbum não ia ser diferente. Sempre gostei muito da capa do álbum With The Beatles:


E também apreciava muito a capa do álbum A Very She & Him Christmas da dupla folk She & Him:


E vários álbuns antigos e vintage imitam este layout. Logo, eu queria ter o meu. Tirei a foto com minha cortina branca ao fundo. Depois, pintei ela de vermelho no Photoshop. A capa estava pronta:


Repare na figura que eu coloquei abaixo do "Stereo". Coloquei um "Olho que tudo vê" pra simbolizar o ocultismo do álbum. Mantendo o estilo, fiz a contra-capa:


Agora sim, o álbum estava 100% pronto. Consegui fazer mais um.

TEMÁTICA DO ÁLBUM

Os temas principais do álbum são a revolta e a perversão. É um álbum pesado em termos de conteúdo, inclusive uma das faixas fala sobre estupro.

SOBRE AS CANÇÕES DO ÁLBUM

1. FOLKABILLY
Canção título. Esta é uma típica canção folk. Eu queria ter gravado ela com banjo ao invés de guitarra. Mas, na época não tinha como eu fazer isso. Ela é inspirada (até demais) na levada da canção "Don't You Look Back" da Mallu Magalhães. Sempre admirei o trabalho dela e curto até hoje.

2. VOCÊ
Essa canção eu já havia composto na adolescência, só que a letra era um pouco diferente e era em inglês. Se chamava "Shut Up!". Como eu queria o álbum todo em português, eu fiz uma nova versão. Ela segue uma cadência básica de rock.

3. ÓPERA DA MENINA DO SERTÃO
Eu queria fazer algo tipo cordel, mas sem ser exatamente cordel. Entende? Eu também não, hehe! É a canção de faroeste do álbum. Faroeste do sertão. Conta a história de uma garotinha que foi estuprada por um coronel corrupto e depois se suicidou. Seu pai foi em busca de vingança. Pois é, tema pesado esse.

4. MEU AMIGO DIOGO
Essa foi uma das primeiras canções que eu gravei para o álbum. É dedicada a meu grande amigo Diogo, que é meu amigo desde os tempos da escola. O Raul Seixas tinha uma canção chamada "Meu Amigo Pedro". Daí veio a ideia para o título da canção.

5. LÚCIFER BAIÃO (BLACK METAL FORRÓ)
Certa vez eu vi uma entrevista do Raul Seixas dizendo que Luiz Gonzaga e Elvis Presley eram a mesma coisa. E ele prova isso tocando uma versão de Asa Branca misturada com Blue Moon Of Kentucky. E ele também tinha composto a canção "Let Me Sing, Let Me Sing" que misturava rock and roll com forró. Era genial! O Raul era foda! Então, resolvi brincar um pouco com a ideia e misturei um pouco de black metal com forró. Na parte do black metal, eu usei trítono, e é o único trecho do álbum que eu usei o FL.
Só pra explicar direitinho: Trítono é um intervalo entre alturas de duas notas musicais que possui exatamente três tons inteiros. Isso gera uma dissonância complexa e deixa o som sinistro. É conhecido como 'Diabolo in Musica' (Diabo em Música). É sério! O nome é esse mesmo. Pode pesquisar! Por muito tempo, a igreja católica proibia os compositores de utilizarem esse recurso. Besteira! Vários acordes possuem trítono. E muitas músicas clássicas utilizam trítono.
Depois desse trecho inicial a música entra em modo de forró. Me inspirei na canção "As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor" para o ritmo. Aí veio a parte divertida, porque eu gravei da forma mais caseira possível. Usei o violão pra base. Peguei uma colher e toquei o suporte de pendurar vasos de planta. É umas espécie de suporte triangular de metal que se pendura na parede. Usei isso como triângulo. Peguei uma colher de pau e um balde de plástico pra fazer um tambor. E toquei minha gaita chinesa pra simular um acordeon.
A letra eu me baseei em coisas que minha mãe me contou sobre ocultismo. Coisas simples, mas que seriam legais de se colocar em uma canção. Coloquei algumas piadas no meio pra dar um grau e pronto. Me lembro do dia que eu compus a letra. Foi numa madrugada. Virei a noite compondo essa letra e quando amanheceu e minha mãe acordou, eu chamei ela e toquei a canção. Ela gostou bastante.

6. EU SOU A EXCEÇÃO
Eu estava muito chateado e revoltado quando fiz essa. Queria colocar pra fora alguns sentimentos ruins que eu estava tendo. Extravasei. É comum nos decepcionarmos com as pessoas que conhecemos. Enfim...

7. AS PERNAS DE ESTHER
A inspiração para o titulo veio de um dos filmes do cineasta francês Éric Rohmer. O filme se chamava "O Joelho de Claire".
Me inspirei pelas letras do meu amigo Elias Pacheco (de quem vou falar muito aqui no blog, pois vou fazer uma resenha de seus trabalhos). O Elias tem umas letras profundas e algumas bem pornográficas. Sempre curti essa atitude dele de ser bem direto nas letras. Eu queria ter uma canção com ares pornográficos. Eu queria que a letra fosse ambígua, com pelo menos duas interpretações. 

8. POLÍTICO NÃO É FÁCIL
Minha canção anti-políticos corruptos do álbum. Fala da falsidade deles que, em época de campanha abraçam as pessoas, pegam as crianças carentes no colo, etc. Depois que ganham as eleições, nem dão as caras. Só que eu escrevi a letra colocando o político corrupto na primeira pessoa. O título foi inspirado na "Vagabundo Não é Fácil" dos Novos Baianos.

9. ARRASA CORAÇÕES
Uma canção minimalista sobre uma femme fatale.

10. FOLKABILLY (REPRISE)
Uma versão diferente da primeira faixa do álbum. Aqui, eu me despeço do ouvinte e anuncio que vou tocar a última canção.

11. LOVE 666
Essa canção é inspirada nas canções bregas, como por exemplo, na canção "Mon Amour Meu Bem Ma Femme" do Reginaldo Rossi e na canção "Tu és o MDC da Minha Vida" do Raul Seixas. Eu queria contar a história de amor entre um cara cristão e uma garota satanista. Tudo no maior sarro, é claro. Deixei ela por último no álbum porque é a mais longa.

CANÇÕES QUE FICARAM DE FORA DO ÁLBUM

VAI PRA CASA DO CHAPÉU
Essa canção só não entrou no álbum porque nela tem trompetes e outros efeitos. E eu não queria isso no álbum. Depois, eu modifiquei a música, cortei uns trechos e renomeei-a como "Hat House (Est Mon Cul). Ela entrou só no álbum seguinte, o "The Bus".

OKLAHOMA MOTEL
Essa canção é ótima. Tem um tom de faroeste (novidade). Só que na época eu não conseguiria produzir ela da maneira que eu gostaria. Eu tenho uma versão dela. Mas, ela merece ser regravada antes de ser lançada em um álbum ou em um single.

SINGLE

DE QUE ADIANTOU?
Essa canção fala a respeito das dúvidas que eu tinha em relação ao meu futuro. Profissionalmente falando. Para ouvi-la, clique aqui.

CONCLUSÕES SOBRE O ÁLBUM

É meu álbum mais simples até hoje. Quase todas as músicas têm clipping. E nenhuma tem clipe. Acabei não fazendo vídeo das canções. Nem eu sei o motivo. Mas, foi importante fazer o álbum do jeito que foi feito, na simplicidade. Porque já mostra que eu usei um método diferente ao que eu havia usado no álbum anterior. Esse álbum foi o último em que eu apliquei esse método. É interessante ouvir hoje e me lembrar das coisas que eu pensava quando eu gravei este álbum. Eu já pensei em fazer um Folkabilly Vol. 2 e vomitar mais algumas letras dessas. Quem sabe um dia eu não re-visito esse estilo?



É possível ouvir o álbum na íntegra abaixo ou clicando aqui.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

PURE PEPPERONI (2012)


FAIXAS

01. Under The Black Hair 03:00
02. Surf Girl 02:49
03. My Little Piece Of Sunshine 01:49
04. Nowhere And Everywhere 03:19
05. Multicolor Mirror 03:05
06. Samba n' Roll (The Brazilian Beat) 03:51
07. Living And Learning 03:06
08. When You Smile 04:20
09. Pure Pepperoni 05:07
10. Pretty Little Killer 02:32
11. Red Blues 04:44
12. Oh! Girl 03:16
13. I Spoke Wrong 01:19
14. After All 04:52

Duração do álbum 00:47:15
Lançado em 12 de setembro de 2012

O ÁLBUM


Este foi meu primeiro álbum. E, inicialmente eu não tinha planejado fazer este álbum. Eu tinha apenas umas duas canções gravadas ao vivo (gravadas com uma câmera cybershot). Canções que gravei com meu primo Vinícius. Ele toca bateria e eu guitarra. As duas canções eram "Oh! Girl" e "When You Smile". Só que nossa banda de brincadeira chamada "The Aces" não existia mais. Essas duas canções foram gravadas em 2010 ou 2011. Talvez até antes. Talvez em 2009. Eu não me lembro direito. Só que ficaram "engavetadas" no HD do meu computador. E eu estava afim de continuar gravando minhas canções. Só que eu teria que descobrir como eu faria isso sem meu primo pra tocar bateria. Eu realmente não tinha a menor ideia de como eu faria isso. Só sei que eu queria muito. Abaixo, o clipe de "Oh! Girl". E, como pode perceber, eu tinha outras ideias de álbum, mas nada concreto.


Já em meados de 2011, um belo dia, eu acordei inspirado (entenda isso como quiser, hehe) e compus um blues simples chamado "Red Blues". A letra estava dentro do contexto de um filme que eu estava fazendo junto de uma amiga. O nome do filme era "Peões Descartáveis" e era inspirado no Tarantino e no Godard. Com meu microfone de 15 reais eu gravei o violão base, o violão solo (muito, muito simples e completamente improvisado, já que nessa época eu ainda não tinha aprendido as escalas), o vocal (coloquei um eco na voz pra dar um grau), a gaita chinesa (sim, eu tenho uma gaita chinesa), o pandeiro (como marcação) e a lata de Nescau (sim, e toquei com uma colher). Pronto, estava finalizada a minha primeira canção. E eu levei o dia inteiro pra fazer ela, porque é claro que eu não acertei tudo de primeira (aliás, até hoje eu gravo várias vezes cada instrumento até sair direito).
Nossa, eu fiquei super orgulhoso de mim mesmo. Me animei com esse negócio de música. 
Algum tempo depois, ouvindo muito Pink Floyd e pensando em imitar o clipe de "Saucerful Of Secrets" do Live at Pompeii, eu fiz a canção "After All". Aqui, já usei alguns programas pra poder fazer a bateria e o órgão (claro, sem noção nenhuma). Para a bateria usei um software chamado "Hydrogen". Fiz e já gravei o videoclipe da forma mais caseira possível. Inclusive, nesse vídeo, meu irmão Hyago foi o cameraman. Isso ainda em 2011. Veja o vídeo abaixo:


E como eu estava gravando o filme "Peões Descartáveis" e já sabia que usaríamos a "Red Blues" na trilha sonora, resolvi compor outra canção especialmente para o filme. A canção era "Psychedelic Love" e a letra resumia um pouco da trama do filme. Depois, entrei na vibe de compor algo dedicado a alguma coisa que eu gostava, no caso, spaghetti western. Sou viciado nesse gênero de Cinema. Fiz a canção "Nowhere And Everywhere", e o eu-lírico conversava com um velho pistoleiro aposentado. Veja o clipe abaixo: 


Bastante tempo depois, já gravando meu segundo filme com essa amiga, desta vez um filme de kung fu chamado "Sobrancelha Branca", compus uma faixa instrumental chamada "Pretty Little Killer". Só que eu já tinha mais outras duas gravadas: "Multicolor Mirror" e "Under The Black Hair".
Eu olhei pra essas canções todas e pensei: "Puxa, já tenho um número considerável de canções. E se eu juntar elas, fazer mais algumas e montar um álbum?" A ideia começou a tomar forma. Só que eu sabia que eu descartaria do álbum a "Psychedelic Love" porque, apesar de muito boa, essa canção não se encaixava no que eu estava querendo fazer. A canção "When You Smile" que eu havia gravado com meu primo eu não usaria no álbum porque a minha guitarra estava muito desafinada (na verdade quase o álbum inteiro foi gravado com a guitarra desafinada, só que nessa faixa estava muito desafinada, hehe). Então, decidi fazer uma outra versão da música, com piano. Eu não sabia tocar piano nessa época. Eu peguei as notas das escalinhas da guitarra que eu estava aprendendo e passei pro piano pelo Anvil Studio (que é um software de música midi). 
Assim, aos poucos, e usando também o software "Fruity Loops Studio" e o "Audacity", gravei todas as faixas. E mais ou menos um ano depois de ter feito a primeira faixa, o álbum estava pronto. Quer dizer, quase. Faltava a capa.

A CAPA DO ÁLBUM

Eu estava querendo que a capa fosse simples e surrealista pra representar a sonoridade do álbum. Eu gostava muito da capa do primeiro álbum do Velvet Underground, o Velvet Undreground & Nico, idealizada pelo artista Andy Warhol.


E eu também admirava a obra "A Traição das Imagens" do pintor surrealista belga René Magritte. Aquele desenho de um cachimbo com a legenda "Isto não é um cachimbo."

"A Traição das Imagens" do pintor surrealista belga René Magritte."Isto não é um cachimbo."

Uma das faixas do disco era a "Pure Pepperoni", que é uma canção política. Pure Pepperoni em português é pepperoni puro, um tipo de salame. E pensei em colocar a fotografia de morangos e legendar como "Pure Pepperoni". Esse ia ser o título do álbum. Peguei uma fotografia de morangos, tratei no Photoshop e voilá, a capa estava pronta:

Capa do álbum inspirada pela obra "A Traição das Imagens"

Para a contra-capa do álbum, eu tirei um print de uma das cenas do filme "Peões Descartáveis" e usei como foto:


Agora sim estava 100% pronto meu primeiro álbum. Eu estava muito orgulhoso de mim mesmo por ter conseguido fazer.

TEMÁTICA DO ÁLBUM

Todos os meus álbuns têm um conceito. Este, mesmo não sendo planejado de início, acabou ganhando um conceito conforme as canções foram saindo. O tema principal deste álbum é a inocência e a ingenuidade.

SOBRE AS CANÇÕES DO ÁLBUM

1. UNDER THE BLACK HAIR
Muitas canções do álbum eu já havia composto anos antes pra tocar na minha banda com meu primo. E muitas delas acabamos nem tocando. Essa é uma dessas canções. Eu a escrevi na época do colégio, em 2005 ou 2006. Era uma menina que vivia cabisbaixa e tapava o rosto com os cabelos. Foi só um amor platônico de adolescente. Eu achei essa canção no meu caderno e resolvi gravá-la. A guitarra estava afinada mais ou menos meio tom abaixo do normal, ou um tom. Não sei ao certo. A introdução da música foi a última coisa que eu fiz. Fiz no Fruity Loops.

2. SURF GIRL
Essa é outra canção que eu escrevi na adolescência. Aliás, na pré-adolescência. Só que o ritmo original era mais leve. Resolvi fazer estilo rock farofa. Eu odeio rock farofa. Só que me desafiei a fazer um. A guitarra dela é toda em FL. Não gosto muito de como ficou a música. Aliás, a versão original se chamava "Irmã da Júlia" porque originalmente era inspirada em uma garota que eu vi na praia. Meu primo e eu estávamos de olho nessa menina e ouvimos apenas o nome da irmã dela: Júlia. E rolou um negócio de surf, só que bem simples. Coisa de criança mesmo. Só que a versão do álbum foi reescrita inspirada na Kristen Stewart, pois na época eu tinha um crush nela e li que ela surfava. Então eu misturei a história real com ficção.

3. MY LITTLE PIECE OF SUNSHINE
Gosto muito dessa composição, mas não gostei da produção. Eu acho que essa música merece ser regravada. Eu caguei tudo na produção dessa. A inspiração veio a partir da canção "Why Do You Let Me Stay Here?" da dupla She & Him. Eu queria uma canção cute que tivesse bastante pratos de bateria.

4. NOWHERE AND EVERYWHERE
Composição inspirada nos faroestes italianos, a.k.a. spaghetti westerns. O eu-lírico conversa com um pistoleiro aposentado e o lembra de seus feitos. Gosto muito da parte do solo.

5. MULTICOLOR MIRROR
É a letra mais psicodélica do álbum. Eu queria que a letra tivesse cores e eu acredito que consegui. É uma música bem legal. Se eu fosse gravar ela hoje, colocaria um baixo e um solo de piano.

6. SAMBA N' ROLL (THE BRAZILIAN BEAT)
Acho que é a música mais rica do álbum em termos de arranjo e letra. A primeira metade é em inglês e a segunda metade em português. Eu me lembro que eu tinha lido em algum lugar que o Chico Buarque era foda e que ele conseguia encaixar a palavra "paralelepípedo" em letra de música (sim, o Chico Buarque é foda). Pensando nisso eu resolvi fazer uma brincadeira e escrevi o trecho "Odepipelelarap, paralelepípedo ao contrário". Que feliz, né? Hahaha!

7. LIVING AND LEARNING
Essa canção eu fiz inspirada na "She Said She Said" dos Beatles, que tinha um riff marcante e muitos pratos de bateria. Eu procurei fazer isso. Coloquei um riff e enchi de pratos. E na letra tem uma citação a uma frase que minha mãe sempre diz: "A vida é dura pra quem é mole". Só que eu coloquei em inglês na letra e ficou assim: "My mother says Life is hard for who is weak". Além disso, me inspirei também na "I'm Only Sleeping" dos Beatles em que tem um solo de guitarra ao contrário.

8. WHEN YOU SMILE
Canção que originalmente eu tinha gravado com meu primo e que aqui regravei com o FL. Uma canção de amor.

9. PURE PEPPERONI
Canção sobre política. Na verdade, não exatamente sobre política, mas sobre políticos corruptos. Eu nunca defendi partido nenhum em canções minhas. Eu prefiro falar mal de todos eles. A minha inspiração para o estilo da música veio da "Alegria, Alegria" do Caetano Veloso. O refrão dizia: "Tudo acaba em pizza, tudo acaba em pizza, é tudo um salame, é tudo um salame, Pure Pepperoni, Pure Pepperoni". Isso porque na faculdade eu tinha um grande amigo que chamava as pessoas manés de "salame". Então, apenas usei o "elogio" às pessoas que veem as roubalheiras e não fazem nada. Eu sou um deles.

10. PRETTY LITTLE KILLER
Canção instrumental. Usei ela no curta metragem "Sobrancelha Branca". Curta que fiz com uma amiga.

11. RED BLUES
Outra canção que usei em um filme. Esta foi usada no "Peões Descartáveis", que também fiz com essa amiga. Essa canção foi a primeira que eu gravei sozinho e foi o pontapé inicial do álbum.

12. OH! GIRL
Essa canção eu gravei com meu primo Vinícius. Ele na bateria e eu na guitarra. Outra inspirada na atriz Kristen Stewart, que era meu crush na época. Eu gostava dela por causa de "O Quarto do Pânico". Ela fazia uns filmes bons antes daquela bosta comercial pra adolescentes babacas que ela se meteu.

13. I SPOKE WRONG
Canção que foi escrita na adolescência e não quer dizer muita coisa. A letra só fala que eu canto errado em inglês. Os Beatles utilizavam diversas técnicas de estúdio que deixavam as canções e os álbuns mais ricos. Coisas que foram pioneiros. E uma delas era começar uma canção com um fade in, na canção "Eight Days a Week". Então, resolvi começar essa música com um fade in pra acrescentar personalidade ao álbum.

14. AFTER ALL
Sem querer me acostumei a deixar a música mais experimental por último nos álbuns. E é por isso que esta canção é a última do álbum. Me lembro que foi divertido gravar essa porque ela é bem nonsense. E a letra também é. Tem solos de guitarra ao contrário. Além disso toquei a percussão com copos, potes de plástico e colheres.

CANÇÕES QUE FICARAM DE FORA DO ÁLBUM

PSYCHEDELIC LOVE
Como eu já expliquei acima, essa canção foi utilizada no filme "Peões Descartáveis" e é muito presa ao contexto do enredo. Além disso eu divido os vocais com minha amiga. Acabei descartando-a.

WHEN YOU SMILE (ORIGINAL LIVE VERSION)
Versão que gravei com meu primo. Essa versão é mais desafinada, mais suja, mais balada e mais legal do que a versão que eu coloquei no álbum. Para ouvir esta canção, clique aqui.

PAIN
Canção pesada de piano e bateria que eu acabei não colocando em lugar nenhum. Ainda está no meu HD esperando pra ver a luz do dia. É uma ótima canção e eu ainda não achei onde encaixá-la.

SINGLES

RED BLUES (OKLAHOMA BAR VERSION)
Uma versão alternativa à que entrou no álbum. Essa versão tem piano e simula como se tivesse sido gravada ao vivo em um bar noturno. Toda gravada no FL, com exceção da minha gaita chinesa. Para ouvir esta canção, clique aqui.

LOVE IS PINK
Canção estilo anos 80. Nunca fui o maior fã dos anos 80 em termos de rock. Mas, me desafiei a fazer uma canção naquele estilo. Hoje eu já curto mais. Para ouvir esta canção, clique aqui

PRETTY LITTLE KILLER PART II
Essa foi uma canção encomendada. Na época, um amigo meu carioca estava fazendo um filme de terror e queria uma canção eletrônica pra abertura. Acabou não rolando, mas a música está aí. Peguei a canção "Pretty Little Killer" do álbum e fiz ela em versão eletrônica. Claro, não entendo quase nada de música eletrônica. Mas, valeu a experiência. Como sempre, foi divertido fazer. Para ouvir esta canção, clique aqui.

CONCLUSÕES SOBRE O ÁLBUM

Ouvindo hoje o álbum, vejo claramente onde eu errei e onde eu acertei. Mas, é um ótimo disco. Gosto bastante. Nem imagino como eu consegui fazer isso tudo naquela época que eu não sabia quase nada. E já neste álbum tem uma variação grande de estilos. A cada canção é como olhar para o outro lado, virar o pescoço. O álbum não permanece no mesmo lugar.

Eu na gravação do clipe de "After All" em 2011

É possível ouvir o álbum na íntegra abaixo ou clicando aqui.